Nos dias que correm, é tão comum ouvir falar sobre o jogo de futebol de ontem à noite como do último jogo da LCS de League of Legends ou dos jogos que estão a decorrer na Alemanha para decidir o vencedor da ESL Cologne de CSGO.
Por essa razão, não é surpresa que grandes equipas do futebol, como Beşiktaş, Schalke 04 e até o Sporting Clube de Portugal estejam interessadas em entrar neste meio competitivo que cativa milhões de pessoas e já enche estádios.
Porém, como nem toda a gente concorda que Esports pode juntar-se aos grandes desportos, tenho comigo os meus colegas João Farinhas, jogador de futebol desde os 6 anos, e Gabriel Marques, jogador ávido de CSGO com mais de 3000 horas de jogo.
Acham que o Esports tem potencial para se tornar num desporto reconhecido mundialmente ao mesmo nível do futebol?
João: Não, porque julgo que o Esports nunca vai ter o impacto que o futebol teve até agora, para além de que tem a vantagem de todas as faixas etárias compreenderem e gostarem do jogo.
Gabriel: Sim, mas ainda estamos no princípio da revolução de Esports, e ainda falta muito tempo até chegarmos lá.
Qual a vossa opinião sobre equipas como o Schalke 04 terem equipas que estão neste momento a jogar na liga profissional de League of Legends?
João: Penso que estas equipas são livres de criar qualquer tipo de associação desportiva, mas tenho que frisar que a Esports, na minha opinião, não tem valor suficiente para criar as mesmas, visto que é um jogo em que um indivíduo passa horas sentado.
Gabriel: Temos que começar por algum lado, mesmo que não tenha valor, isto é um passo para adquiri-lo.
Consideram que deveria haver uma separação entre Esports e futebol?
João: Sim. Penso que a ideia mais aceitável seria esta para encontrar um equilíbrio entre estes dois mundos.
Gabriel: Não, pois se começamos a fazer separações, então temos que reformular todos os desportos que não possuam os mesmos atributos que o futebol.
O que acham de canais como a ESPN estarem cada vez mais a transmitir Esports?
João: Penso que é bom, pois vai ajudar a propagar o Esports.
Gabriel: Sim, como o João disse, se não houver publicidade e propaganda do que é o Esports, não vamos conseguir legitimar esta prática.
Será que no futuro jogos de computador vão perder o estigma que muitas vezes está associado a esta atividade?
João: Na minha opinião, penso que vai ficar mais aceitável perante a sociedade, pois vai tornar-se muito mais popular entre as pessoas, mas penso que nunca vai realmente conseguir livrar-se desse estigma.
Gabriel: No futuro, vai ser muito mais popular jogar jogos de computador, mas provavelmente não vamos conseguir fazer com que seja normal perante a sociedade.
Na vossa perspetiva, quais as maiores diferenças entre um jogador profissional de futebol e um de Esports?
João: A preparação física que é necessária para jogar futebol vai ser maior do que no Esports e vai trazer benefícios à saúde.
Gabriel: Futebol tem que ser trabalhado mais fisicamente, enquanto Esports requer um maior treino da parte mental e das reações, mas o espírito de equipa mantém-se nas duas modalidades.
Podemos considerar Esports um desporto?
João: Não possui os requisitos para ser considerado um desporto, pois não tem exercício físico envolvido.
Gabriel: Depende do que definimos como desporto. Se consideramos que o desporto precisa de atividade física, Esports não seria um desporto, mas a meu ver um desporto não precisa da componente física. Considero, então, que Esports é um desporto e, se não o considerarmos como tal, temos que retirar desportos como xadrez, poker ou desportos motorizados.

Por Luís António







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