Algum dia pensou que aquele miúdo de Mira Sintra poderia um dia ser campeão europeu?
William: Aquele miúdo de Mira Sintra, como todos os outros, sempre teve sonhos e jogar na seleção nacional era um deles. Felizmente, pude concretizá-lo. Pensar especificamente em ser campeão europeu, acho que não, mas sempre tive o sonho de jogar pelo meu país.
Portanto, valeram a pena todos os sacrifícios feitos para ser jogador...
William: Sempre soube, porque sempre fui assim educado, que para chegar a algum lado tinha de fazer sacrifícios. Mas eu não era especial: havia muitos miúdos como eu a fazer sacrifícios. Muitos miúdos tinham de sair de casa dos pais aos 13 anos e ir viver para a Academia, coisa que eu não tive de fazer. Sei que para esses rapazes foi muito difícil.
Mas para o próprio William não foram tempos fáceis, creio eu…
William: Sim, não foram. Tinha de apanhar vários autocarros, por exemplo. Apanhava o autocarro de Mira Sintra para a estação do Cacém, do Cacém ia de comboio até Entrecampos e em Entrecampos apanhava o metro para o Campo Grande. Depois no Campo Grande tínhamos um autocarro do clube para nos levar para Alcochete. Fazia isto todos os dias.
Era duro?
William: Era cansativo, mas sabia que se queria atingir um nível alto tinha de fazer esse esforço.
O William já disse que havia outros miúdos que faziam tantos ou mais sacrifícios, por isso a dúvida é: o que o distinguia a si para chegar hoje a campeão da Europa?
William: Não é fácil responder. Joguei com colegas que tinham tanta ou mais qualidade do que eu... Acho que é acima de tudo uma questão de trabalho e de oportunidade. Graças a Deus, tive um treinador que apostou em mim e até hoje estou-lhe grato por ter confiado em mim.
Que é o Leonardo Jardim, suponho.
William: Exatamente.
Mas antes disso ainda saiu para o Fátima, primeiro, e para o Cercle Brugge, depois...
William: Faz parte do que é ser futebolista. Fui para o Fátima no primeiro ano de sénior, fiquei seis meses, até depois sair em janeiro para a Bélgica, onde fiquei um ano e meio. Foi difícil, foi a primeira vez que saí de casa e fiquei longe dos meus pais. Foram duas experiências importantes, porque me fizeram crescer como pessoa e como jogador. A Bélgica, sobretudo, foi importante, onde estava sozinho e não falava a língua.
No meio disto tudo, qual foi a importância do estágio no Canadá?
William: Foi decisivo. Antes de mais, porque me permitiu mostrar-me ao treinador para lutar por um lugar e, depois, porque concretizei o sonho de começar a representar o meu Sporting.
Por falar nisso, o que é que faz um miúdo de 13 anos dizer não ao Benfica?
William: A paixão pelo Sporting. Sendo sportinguista e sabendo que o Sporting apostava mais nas camadas jovens, achei que entre um clube e outro não havia escolha.
Por João Farinhas









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