X-Men: Apocalipse é o sexto filme da saga X-Men nos cinemas (sem contar com os filmes Wolverine ou Deadpool). Por esta altura, a equipa de produção já sabe muito bem onde acertou e errou nas cinco primeiras longas metragens.
Para provar que eles sabem do que os fãs não gostam e mostrar que superaram o passado, o roteiro inclui até uma piadinha com X-Men: O Confronto Final, quando Jean Grey (Sophie Turner) declara que “o terceiro [filme de uma franquia] é sempre o pior”.

Mesmo assim, o novo filme X-Men é uma escorregadela notável em relação à qualidade que os fãs esperam. Especialmente depois de X-Men: Primeira Classe e X-Men: Dias de um Futuro Esquecido.
Poderia ter sido melhor, mas…
Que fique claro: X-Men: Apocalipse não é um desastre total. Ele só fica muito aquém do que poderia ter sido. O filme tem cenas de ação emocionantes, fanservice na medida certa e reapresenta personagens como Scott Summers (Tye Sheridan) e Jean Grey (Sophie Turner) de uma maneira revigorada e muito mais interessante. A mudança no elenco também ajudou bastante.

Nas versões anteriores de X-Men, o Ciclope, apesar de ser um dos destaques, servia apenas como um galã bonitinho, sem muito carisma. Agora, vendo o começo do desenvolvimento dos poderes dele e do relacionamento com os outros mutantes, é possível sentir alguma empatia nos momentos em que ele demonstra as suas inseguranças.
Outras personagens, no entanto, não tiveram a mesma sorte. Noturno mal chega a ter personalidade e é algo que está profundamente enraizado nele; aparece simplesmente jogada numa cena, sem muita expressividade.
Quem tem medo do Apocalipse?
Apocalipse é um vilão que funciona muito bem… nas bandas desenhadas. Ele parece ameaçador… nos quadrinhos. Ele tem uma aura de indestrutibilidade… nos quadrinhos.

Em X-Men: Apocalipse, o vilão tem um visual fraco – semelhante a algo feito para uma série de TV e não para um filme de Hollywood – e poucas ideias além da já batida criatura poderosa que vai destruir o mundo. Nem mesmo Oscar Isaac consegue fazer com que Apocalipse se destaque.
A extensão dos poderes de Apocalipse não fica muito clara, assim como a real motivação. Mesmo a traição que o vilão sofre no passado, mostrada numa sequência nos minutos iniciais, parece um motivo meio frágil para algo como a extinção da humanidade. Ele deveria ser alguém que todos deveriam temer, mas mesmo Trask, um mero humano, e vilão de outro filme da franquia, consegue impor mais medo e senso de urgência do que ele.
Reutilizando ideias
Alguns momentos que estavam a ser antecipados pelos fãs conseguem ser divertidos apesar de serem reciclados do filme anterior. Numa cena de resgate de X-Men: Dias de um Futuro Esquecido, Mercúrio corre tão rápido que todas as pessoas no ambiente parecem estar congeladas e, com isso, ele consegue vencer os inimigos.
Há um momento similar no novo filme, mas não dá para colocar todas as fichas numa cena com a mesma ideia e esperar que ela tenha um retorno tão positivo quanto a primeira vez. O momento é empolgante, mas é bom que os argumentatistas comecem já a pensar noutro truque para chamar a atenção no próximo filme.
X-Men
A cena inicial de X-Men: Apocalipse é grandiosa e faz com que o público espere algo épico digno desse início, mas há muitas personagens novas para apresentar e a estrutura não aguenta esse peso.
Dois dos cavaleiros do Apocalipse, Psylocke e Anjo, não chegam a ser desenvolvidos. E mesmo figuras que tinham bastante peso em filmes anteriores acabam por ser mal aproveitadas. Magneto, por exemplo, acaba perdido entre dramas e clichés com pouco impacto.
X-Men: Apocalipse é um filme mediano, que segue uma fórmula previsível e está bem abaixo dos dois últimos filmes da saga. O elenco é inconstante, com momentos intercalados por drama, digno de novela mexicana, e cenas gloriosas atrapalhadas por um vilão que não consegue instigar tensão, mesmo considerando o histórico do Apocalipse noutros media.
Este não é o pior filme dos mutantes. Ele consegue entreter graças a algumas cenas que estimulam a plateia o suficiente para que as quase duas horas e meia da projeção não sejam de puro tédio. Porém, com um pouco mais de trabalho, X-Men: Apocalipse poderia ter mantido, pelo menos, a qualidade que vimos nos dois últimos filmes desta saga.
Por João Rosa







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