Matam pela cor da pele do menino que sai de casa com um saco de pipocas e matam aqueles que praticam a sua sexualidade de forma livre, como o século XXI permite. Matam mulheres por serem mulheres. Agridem, asfixiam, violam. Desaparecem com elas. As estatísticas avolumam-se ano após ano, mostrando que a luta contra a intolerância é uma guerra constante no Brasil.
A OMS já emitiu um alerta quando o assunto é a morte de brasileiras. Com um registo de 4,8 mortes a cada 100 mil mulheres, o feminicídio coloca este país na vergonhosa e inaceitável quinta posição do ranking mundial de "mortes de mulheres por serem mulheres". Quando há o recorte étnico, esse número torna-se mais assustador. Segundo o Mapa da Violência sobre homicídios no público feminino, de 2003 a 2013, o número de assassinatos de mulheres negras cresceu 54%, passando de 1.864 para 2.875.
Os casos de violência doméstica ou violação dos últimos meses mostram isso e ainda há um enorme trabalho a ser feito quando o assunto é a conscientização do povo. Quando uma jovem foi violada por mais de 30 homens na periferia do Rio ou quando a ex-modelo Luiza Brunet teve quatro costelas partidas pelo ex-marido, vê-se que essa cultura patriarcal, misógina e machista ainda está impregnada em diferentes nichos da sociedade.
A homofobia e o racismo também têm saído do armário em velocidade surpreendente. O jovem estudante Diego Vieira Machado, de 24 anos, encontrado morto às margens da Baía de Guanabara, no campus da UFRJ, é prova disso. Mata-se por ser negro, homossexual e pobre.
Num país em que o Parlamento tem bancadas obscurantistas, que veneram o escárnio às minorias ou pregam o ódio com normalidade, é urgente um alerta à sociedade para que ajude a impedir retrocessos, a avançar com pautas propositivas e que ampliem direitos. Não há a menor condição de que não haja uma reação política no país frente aos absurdos que são registados dia a dia.
Para enfrentar este cenário, é preciso desfazer hierarquias sociais naturalizadas que sustentam a superioridade dos homens sobre as mulheres, dos brancos sobre os negros, dos heterossexuais sobre os homossexuais.
Por Iulian Radu







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