terça-feira, 19 de julho de 2016

Festivais | Kendrick Lamar, rei num dia de Super Bock Super Hip-Hop

A 22.ª edição do Super Bock Super Rock terminou na madrugada deste domingo, coroada pela atuação de Kendrick Lamar, o rapper mais influente do momento.


Dedicado ao hip-hop, o terceiro e último dia do festival foi o único a esgotar e podem apontar-se responsabilidades a Kendrick Lamar, o homem eleito como um dos 100 mais influentes do mundo pela revista Time e que tem sido apontado pela crítica como capaz de elevar o hip-hop a um novo patamar.

No público, uma fã em lágrimas, cartazes (além dos clássicos "Give me the setlist" podia ler-se "White silence = white opression"), um jovem com um vinil na mão ou uma t-shirt de Compton, cidade californiana de onde Lamar é natural e berço de rappers como Dr. Dre ou Ice Cube, fundadores dos seminais N.W.A. Os braços estiveram no ar quase em permanência, na plateia em pé ou nas bancadas, e muitos deixaram despertar o rapper que vive dentro deles, reproduzindo as letras (ou parte delas) na maioria das canções.

A abrir as hostilidades, saltaram do disco de 2012 "Backseat freestyle" e "The art of peer pressure", mas foi "Swimming pools (drank)" a primeira digna de uma ovação. "Bitch don"t kill my vibe", "m.A.A.d city", "King kunta", "i" ou a muito jazzy e irónica "For free?" foram o delírio anunciado.

Acompanhado por uma banda competentíssima, Kendrick desmonta o estereótipo do rapper ancorado apenas na voz, com guitarras, bateria e piano a terem um lugar central no espetáculo, neste hip-hop que também percorre territórios do jazz e bebe de várias influências. Isto, sim, é um digno espetáculo de se ver.

Por Filipe Duarte

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